![]() |
![]() |
|||
|
|
![]() |
|
![]() |
|
|
|
Quinta-feira, Julho 14, 2005 Poema sobre nada Escrevo Em linhas vazias Palavras vizinhas Da imaginação Não nego A minha loucura Tão pura Que alça seu vôo Rasgando os céus Atropelando meu chão. (Mariana Antonelli - 23/10/2002) ------------------------------------------------------------ Meu Caderno Rabisco Com riscos Meu pensamento arisco à gaiola de sentidos Risco palavras na vaga tentativa de um simples poetar Gosto de desenhar minha pele com os dedos dele que dançam devagar me deixando mansa Sou menina, criança Sou aquela que gosta de um brilho no olhar E sentir tudo leve pelo ar criar asas pra poder me atirar E libertar meus lábios nascidos para beijar como uma ave busca um ninho para um breve repousar. E no meu peito - travesseiro do meu dengo - tantas emoções sobrevoando suspirando devagar (Mariana Antonelli - 24/02/2002) Publicado por Marianíssima às 11:20:22 AM Terça-feira, Junho 14, 2005 Diminutos Tenho que diminuir os gastos, o tempo vago, minhas horas de sono, a minha grande e tola distração. Tenho que diminuir as lágrimas expostas - nuas no rosto pálido -, as lamentações das coisas que não foram, minha ingenuidade, meu grau irresponsável de sinceridade, a minha insistente e desvairada insanidade. Tenho que diminuir as emoções em altos picos. Dizem que isso é correr riscos demais. Tenho que diminuir o vício de correr riscos demais. Diminuir a quantidade de pensamentos que rondam minha mente. Diminuir a minha mente. Tenho que diminuir minhas mãos, que cismam em agarrar, afoitas, a tudo e a todos. Diminuir a quantidade de palavras que se alojam acomodadas dentro da minha boca. E, de minha boca, diminuir o tom da voz, junto com as futilidades ditas por dizer, largadas por aí, sem ter o que fazer em alguma mente ou em qualquer lugar. Tenho que diminuir meus olhares vagos, minhas inúmeras e teatrais expressões. Tenho que diminuir a quantidade de chocolate, a gordura localizada, a celulite, algumas medidas aqui e ali do meu corpo mutante, do meu corpo comandado, usado, abusado, inerente a minha mente (será?). Tudo isso para alongar minha vida. E qual vida se tem, quando se é diminuída? As favas com os diminutos. Tenho, sim, é que aumentar tudo para viver como tem que ser: vivendo. Só isso. Só isso tudo. Mariana Antonelli - 07/04/2002 Publicado por Marianíssima às 1:17:59 AM Terça-feira, Junho 07, 2005 Costura Percorria pela pele seu dedo E aquele doido medo sumia... Se o pêlo pelo corpo arrepia desliza sua boca na minha e guia um sorriso uma sorte por entre minha alma - recorte. (Mariana Antonelli - 31/07/2003) ---------------------------------------------------------------- Amor meu amor... Meu amor pulsa mais forte a cada dia... e eu chego a te sentir por um instante tão perto da minha vida, meu amado, meu amante que mesmo com tua ausência permanente permanece em mim assim constante este sentimento - força que me faz viver. (Mariana Antonelli - 08/01/2004) Publicado por Marianíssima às 1:43:22 AM Segunda-feira, Maio 30, 2005 Quebra Cabeça Olhos me buscam Perdidos Olhos me seguem Pedindo Toda minha boca Fugindo De qualquer tempo Esquecido Pelo momento Indeciso Meu sentimento. (Mariana Antonelli 1/10/2002) ---------------------------------------------------------- Poética Pôr ética na minha postura titica prática? Capota e cai quem põe. - Pô...É, Tica??? - É! (Mariana Antonelli - 20/07/2002) Publicado por Marianíssima às 11:52:14 PM Domingo, Maio 22, 2005 Vai por ali, ó Aqui dentro eu faço minha vida sem retalhos vou tecendo fio a fio o fio da meada na horizontal estrada das veias coração cabeça corpo menina mulher poeta vulcão Sou mesmo é da contramão Gosto de virar cabeças, entortar pescoços entre as linhas das entrelinhas que me fazem tão à vontade Caminho na reta discreta, toda indiscreta e rebolo pra você sopro um beijo, tiro a roupa, mostro tudo que eu guardo aqui dentro do meu ser Ah...Serafim eu sou assim mesmo: assim! Não vá você gostar de mim Melhor eu me vestir de novo. Melhor eu ir molhar o jardim Melhor continuar tecendo meus fios e te deixar ao invés da chegada, o fim. (Mariana Antonelli - 30/04/2002) ----------------------------------------------------------------- Palavras beijadas (Quantas são as emoções que carregam as palavras?) (Mas quantas são as emoções tornadas em desejos quando duas bocas se beijam?) A palavra quis os olhos que quiseram os lábios e que, em silêncio, pediram o beijo. E toda livre linguagem nossa, presente todos os dias, trancou-se uma noite na prisão perpétua do sentir. Os lábios algemaram as línguas ... e as condenaram deliciosamente à linguagem do beijar. (Mariana Antonelli - 13/05/2002) Publicado por Marianíssima às 12:35:42 PM Quinta-feira, Abril 07, 2005 A andança da mudança Foi daquele jeito mesmo: desliguei o telefone com o Felipe e fui arrumar minhas malas para seguir rumo ao desconhecido; ao que nunca tive coragem de me permitir descobrir. Havia me formado em Odontologia, porque sempre foi o desejo de meus pais. Mas e o meu desejo? Bem, eu fingia para mim mesma e para meu sonho de cursar Turismo ou Hotelaria, que Odontologia era o máximo! Que ser dentista era muito maneiro...Mas...ledo engano... Ser dentista era um horror. E eu comecei a notar isto somente quando iniciei meu questionamento sobre o futuro...sobre minha vida. Afinal de contas, eu estava com um diploma de dentista na mão aos 23 anos...e já havia se passado 4 anos. O que eu iria carregar para o "lado de lá", depois que eu saísse deste plano? Dentes?...Credo... A idéia de que minha vida se resumiria a dentes, bocas (às vezes impregnadas de mau hálito...) abertas na minha cara, diante de meus olhos - que queriam ver o mundo - e, por fim, num casamento por pura conveniência com o Felipe, ia me deixando sem ar, me dando tontura. Eu queria gritar. Queria berrar para mim mesma que o Felipe era um sem graça, que não queria ver mais bocas fedorentas (ou não, tanto faz...). E berrei. Esperneei para mim mesma e para aquela grande coisa que eu havia desenterrado debaixo da cama. Agora ela estava arreganhada sobre minha cama. Interessante aquela grande coisa...Eu a encarava com um sorriso maroto. Formato? Quadrada, gigantesca e cheia de coisas que nem eu mesma sabia ao certo o que eram e por quê havia colocado ali. Minha antiquíssima mala era que estava aberta descaradamente diante de meus olhos arregalados. Não pensava. Aliás, pensava...Pensava em quantos olhos, arregalados também, eu tinha para ver, quantas bocas sorridentes para sorrir junto comigo. Pensava sob quantos ângulos diferentes eu veria o sol nascer e se pôr; quantas culturas, sabores, comidas, cheiros e perfumes eu iria experimentar em minha vida. Medo...medo? Um pouquinho, talvez. Mas minha mala era muito maior. Superava o tamanho e a bagagem que o medo, esse estúpido sentimento, possuía. Minha vida sempre fora a mesma coisa. Eu sempre carreguei o medo. Medo de contrariar aquilo que seria conveniente a todos, menos a mim. Agora não seria mais. Eu iria carregar algo menor em sua aparência, porém...muito mais interessante que aquela vida monótona. E foi assim mesmo: "Boa noite. Eu também te amo. Até amanhã."...Só que, na verdade, era o "até nunca mais" ou "quem sabe um dia, não?". Mas não falei nada. E por que deveria? Agora, minha vida seria junto à mochila. Ela seria minha grande confidente e parceira. Seria com ela que eu me casaria. E não com o politicamente correto do Felipe. "Sim. Eu aceito!" - disse à minha mala (que dentro guardava uma enorme mochila para minhas andanças pelos novos caminhos e trilhas) antes de eu partir de casa e...partir para o mundo! Mariana Antonelli - 14/11/01 Publicado por Marianíssima às 6:54:12 PM Quinta-feira, Março 17, 2005 Reflexo Da noite caiu Uma cortina de estrelas Se estendeu No cenário do céu A chuva caía fina como os sentimentos daquela menina estampada de luzes se olhou no espelho se viu e viu o sol abraçando a noite acordando o dia... Ela raiava para a vida crua, nua, simples: a menina encharcada pela aurora. (Mariana Antonelli -16/02/2002) ------------------------------------------------------------------ Meu Bem Olha, meu bem há uma coisa importante que preciso te contar Escuta, meu bem o coração da donzela parou de acelerar Não bate mais no compasso dos teus passos eu acho que ela fugiu Olha, meu bem se você sentir falta dela quem sabe eu possa ajudar? Mas tem uma coisa, porém, meu bem... Só ela sabia amar como ninguém E agora essa moça toda "leite moça", toda derretida, assumida tá sumida foi pra Lua e não quer mais te visitar... (Mariana Antonelli - 01/04/2002) Publicado por Marianíssima às 2:20:42 AM Segunda-feira, Março 07, 2005 Fim Não minto Te sinto E me findo Até o fim Em você Em mim Meu Fim. (Mariana Antonelli - 20/04/2002) Publicado por Marianíssima às 9:36:59 PM Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005 Só sua Bateu na porta da frente Olhou por dentro de mim Me viu nua inteiramente Não quis que tivesse mais fim... Voltou no dia seguinte Trouxe um buquê de rosas Tirou todo meu apetite Transformou meus poemas em prosa... Roubou da minha boca o gosto Furtou sem dó meu coração Levou a minha segurança Arrancou dos meus pés o chão... Me amou como se fosse a única Beijou meus seios em silêncio Deitou meu corpo em seu colo Tirou para sempre meu eixo... Mariana Antonelli - 23/09/2002 ------------------------------------------------------------- Por qualquer lugar Sem saber por onde ir vou andando por aí pelas ruas e avenidas em que da vida me perdi Sem pensar muito em medos sem deixar de reparar nos meus sonhos e segredos que nem sei a quem contar Sem saber que mãos pegar para caminhar comigo largo meus braços pro céu me penduro no infinito... E pra onde é que eu vou seguir rumo algum lugar quanto falta pra eu partir o que resta pra chegar Em algum lugar que tenha para algum lugar que há pra qualquer lugar que seja o lugar pra eu te encontrar... Mariana Antonelli - 12/09/2002 Publicado por Marianíssima às 12:36:56 PM Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005 Outono em mim Vá, meu bem aproveita o dia de hoje olha só como o sol está neste céu azul de outono só faltava eu, em seus olhos, enfim raiar... Vá, meu amor refresca sua alma esqueça o suor do calor mergulha seu corpo no mar... E quisera eu ser sal para em sua pele poder grudar. Mariana Antonelli - 01/05/2004 ----------------------------------------------------------------------- Entupida de nada Me entupo de tudo Mas só tapo o nada que me entorpece toda... E essa angústia permanece vagueando por meu vácuo; E me parece que de mim ela não esquece... Talvez porque saiba o quão fácil é obter-se dos meus inúmeros piscar de olhos - lugar aonde vacilo, me visto frágil e esqueço de existir... Mariana Antonelli - 15/06/2004 Publicado por Marianíssima às 12:54:11 AM Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005 Para um ausente ... (mas que agora está presente!) Volte logo. Eu já me esqueci de como se faz para esperar. Volte depressa para me amar e me ame então pra sempre e sem pressa para acabar. Eu já não sei nem mais em qual lugar guardei aqueles tais pontos finais. E meu coração vai se vestindo de você a cada dia um pouco mais. Por isso volte logo e corra atrás do nosso destino, menino. O que é meu é seu também, eu prometo, eu juro, eu assino. A minha boca só lhe espera toda certa pro beijar. Volte logo e a preencha e depois me aceite em seu estar. Porque os meus sonhos já não cabem mais nas minhas noites. E minhas noites eu tenho estado a virar com a cabeça em seus olhos, com meus olhos tão cansados de viverem embriagados em poças de longas lágrimas, viciados do ato triste que é o chorar. Será que isso vai acabar? Será que eu vou ter ressaca da saudade tamanha? Será que você virá? Mariana Antonelli - 21/09/2003 Publicado por Marianíssima às 3:19:24 AM Sábado, Janeiro 29, 2005 Versos Faço versos ao inverso me invento Faço versos tão perversos quanto o tempo Faço versos tal qual vento no Universo Faço versos que são côncavos e convexos Faço versos porque invejo a quem lhe vê Faço versos pra conservar o meu viver... Mariana Antonelli - 04/02/2004 ------------------------------------------------------------- Sabor Te engulo em meus pensamentos e saboreio lembrança por lembrança um gosto doce na ponta da língua (resquícios de um beijo inacabado). Provo, assim, o sabor do meu desejo que não passa de mero passado saudoso (fruta mais que madura deitada no chão). Mariana Antonelli - 19/02/2003 Publicado por Marianíssima às 5:12:41 AM Sexta-feira, Janeiro 14, 2005 Lamento Lamento as flores em vão, cuspidas com seu azedume. Lamento todos os afagos, limpados com desprezo em cada partida minha. Lamento suas palavras enojadas, desprovidas do que significa ser. Lamento o beijo escondido, com sua boca de cacto, numa boca vulgar qualquer. Numa boca que riu de mim, mas que eu lamentei por ela também. Lamento sua raiva inventada, que se emanou feito praga. Enfim, lamento tantas coisas... Mas não lamento meu tempo quando estava em seu tempo. Fiz minha parte. E sei quem sou. E você? Sabe se olhar cruamente no espelho sem vomitar? Mariana Antonelli ---------------------------------------------------------------- Conquista Sim, eu fiz mil poses, cem closes, sorri tantas vezes, eu sei... Sim, eu fiz meu charme, chamei seu nome, quis sua carne, sonhei com fome... Lhe fiz poemas, inventei danças, coreografias, poses, cenas sem seu olhar... E então vesti-me feito cigana sabida, daquelas que não falham quando falam do destino da vida, li minha própria mão e lhe encontrei na minha palma. Hoje você é real e compartilha de minha alma. Mariana Antonelli - 24/11/04 Publicado por Marianíssima às 12:45:36 AM Quarta-feira, Janeiro 05, 2005 Sou Eu sou a palavra na ponta da língua sou lua que míngua chuva que nunca respinga Sou céu todo aberto e azul turquesa sou o alvo certo da sua incerteza Eu sou bem mais que olhar pra trás sou toda história a sua memória Sou sorriso solto e choro aos prantos sou canto em coro sou mais que um encanto Eu sou a verdade mais absoluta e sou a mentira mais estapafúrdia Sou zero e mil sou o fim da estrada sou qualquer partida e toda chegada. (Mariana Antonelli - 02/02/2003) Publicado por Marianíssima às 1:04:21 AM Sexta-feira, Dezembro 31, 2004 Com Coração Me colore com mais bela cor ou me cante a mais linda canção E escolha um caminho... seja aonde for Que eu lhe acolho em um canto de amor e lhe conto sobre cada encanto do meu coração. (Mariana Antonelli - 02/02/2003) -------------------------------------------------------------- Assediada Ao tentar te esquecer fui lembrada E minha boca já calada foi beijada Minha mente por você invadida dia à dia cada parte do meu corpo foi tomado por tuas mãos tão adestradas sequestrado E não tive mais saída ao teu lado meu amor em cativeiro foi deixado Perseguiste-me por todos os meus lados eu cansada fui cedendo lentamente ao teu modo de me ter assediado. (Mariana Antonelli - 19/01/2003) Publicado por Marianíssima às 5:03:56 AM Sexta-feira, Dezembro 24, 2004 Opostos E assim vamos nós dois discutindo pelos caminhos: eu cuspindo flores, você espinhos, dores. E se perguntam, em murmurinhos, pelos corredores, sobre nosso sentimento, eu respondo com um poema e você com um xingamento. (Mariana Antonelli - 25/02/2003) ---------------------------------------------------------- Tua Gramática Teu nome é meu pronome pessoal preferido proferido como canto entoado pelos cantos da minha boca viciada em teu gosto tua gramática fluente em tua língua exercito a parte para mim mais importante: a prática. (Mariana Antonelli 15/12/2002) Publicado por Marianíssima às 10:06:19 PM Sexta-feira, Dezembro 10, 2004 Tradução E assim, de surpresa, sua mão traduziu sílaba por sílaba do meu corpo dissimulado. Logo eu, que nunca havia sido desvendada de forma tão perfeita e profunda por alguém até então. Leste a minha pele em braile, passeando a ponta dos seus dedos pelas pontas das minhas curvas e pelos becos do meu íntimo de um jeito exato e delicado. Logo, apaixonante. E depois dos dedos, foram seus olhos que vieram quietos e concentrados em todas as minhas inúmeras e imperfeitas singularidades e meus defeitos tão mal maquiados através de gestos graciosos. E minha face ali, enrubescida...se sentindo talvez um pouco ameaçada ou ligeiramente invadida. Tão deliciosa descoberta... E depois dos olhos, minha boca: presa fácil, preste a ser atingida e dominada, enclausurada por seu lábio curioso e calmo e secreto e calado. Um minuto. Pronto. Tudo no ponto. Eu estava completamente nua em minh¿alma pra você. Tão à mostra, tão exposta, tão crua e indefesa pros seus dedos desbravadores e seus olhos incansáveis de esmeralda. Foi então que, já cansada, não mais hesitei. Entreguei-me à sua linguagem. Eu, completamente traduzida. (Mariana Antonelli - 30/09/2003) Publicado por Marianíssima às 4:24:32 AM Segunda-feira, Dezembro 06, 2004 Digitais Guardo impressões do que, imanente, em minha mente dormiu. E me parece imperecível este sentimento que padece em meu leito, não ruiu. Mas faço o possível pra ser impassível inundando-o de uma suposta amnésia improvisada Mas o sacrifício é inválido pois esse resiste impávido e não se esvai não estanca sentimento louco que dentro do corpo se tranca Entranhou-se em minha pele esse perfume que não sai Imprevisível por tempo ilimitado como estranhas digitais. (Mariana Antonelli / 22/04/2003) ----------------------------------------------------------------- Teoria Se eu te perder eu acho que nunca mais vou me achar (Mariana Antonelli / 06/04/2003) Publicado por Marianíssima às 5:36:01 AM Terça-feira, Novembro 30, 2004 Com-ti-nua-mente Continuar Com tudo Contudo Com ti No ar Te conto Toda contente Comigo nua Contanto Que tua mente Continue Com tudo Pra continuar Comigo. (Mariana Antonelli - 1/09/2002) -------------------------------------------------------------- Ser De Repente Ser serpente ou somente semente una. Em suma sou uma só quando quero duas ser. (Mariana Antonelli - 9/06/2002) ------------------------------------------------------------ Mire Estrelas Mire as estrelas e se vista de brilhos só para vir encontrar os meus negros olhos e clareia, assim, tudo e mais o céu da minha boca. Mire seu corpo morno no meu alvo mais preciso. E faça isso a seu modo. Mas não esqueça de ser frio e calculista para não me errar. E acerte bem em cheio o meu ponto mais fraco e me mire novamente com sua boca de hortelã pra que eu possa, enfim, refrescar a minha face. Logo depois, assopre em volta de nós as cores azuis da manhã. Tente ser, de vez em quando, só de vez em quando, agressivo e impetuoso. E mire sua mão bruta na minha carne viva, dominando minha pele igual droga letal que descontrola o corpo. E depois de aliviar sua ânsia de instinto, devolva o que me pertence e mire seus olhos para outra direção que não seja a minha. E chore. Mire embaçado a gota d'água que debateu-se salgada pelas margens do seu rosto até se espatifar no chão. Mas não desista de ainda ter ânimo para me afoga neste mar que inunda o seu corpo. E mire novamente minha cara ofertada. E, sem se encolher por entre as sombras dos meus cabelos, encare algumas miragens que a vida cisma em insinuar. Insinue, enfim, ao fim de mais um roteiro, suas mãos na frente da minha boca e as estenda abertas e entenda, sem franzir a testa, que dela eu cuspirei mais e novas estrelas pra recarregar algumas das suas que acabaram se apagando por aí... (Mariana Antonelli - 29/04/2003) Publicado por Marianíssima às 6:39:49 AM Quinta-feira, Novembro 18, 2004 Não lhe esqueço Enlouqueço se me esqueço pelos sonhos com seus braços... adormeço e não me acho por entre as profundas horas... reconheço essa demora para o instante do acordar... recomeço o meu fim novamente em você... E apresso a história pra poder lhe encontrar. (Mariana Antonelli - 01/01/2003) ---------------------------------------------------------------- De novo noiva E se um dia você voltasse Na minha vida aparecesse Eu não sei o que faria Se acaso você pedisse Para acontecer de novo E acordar o meu sossego Me fazendo um alvoroço Por todo meu aconchego Se você viesse mesmo Para voltar pro meu peito Me batendo novamente Todo aquele sentimento Que às vezes me doía Machucando aqui por dentro Se um dia você voltasse Te pedia em casamento... (Mariana Antonelli - 19/09/2002) Publicado por Marianíssima às 11:09:05 PM Sábado, Novembro 06, 2004 No escuro Deu uma última olhada. Passeou com seu par verde arredondado pelo meu corpo único estirado entre os lencóis e respirou a última fatia do meu sono. E meu suspiro desacordado e brando o alertou pra sua partida inesperada que repartiu meu coração em retalhos desiguais. Colocou seus óculos escuros, dobrou a esquina mais próxima do nosso fim, me apagou da sua retina e nunca mais retornou. Mariana Antonelli - 09/08/2004 ----------------------------------------------------------------------------- Tudo Eu te amei no instante em que vi tudo. Ali na minha frente, vulnerável, mudo, nu, desnudo...eu amei o teu segundo de ser quem você é no teu maior total. E no teu total senti o teu silêncio, a tua essência em sintonia com o meu corpo todo. No teu olhar não existia escudo e a tua alma se deitava em mim... E foi assim que eu percebi estar mesmo te amando e te querendo tanto no meu mundo todo...você totalmente em mim. Mariana Antonelli - 18/07/2003 Publicado por Marianíssima às 8:12:04 AM Sábado, Outubro 30, 2004 E se for assim? E se eu um dia resolvesse sair do seu pensamento fugir de todos os sentimentos abrir as portas da imaginação? E se um dia vc me esquecesse pra sempre da sua vida tomasse duras medidas para me afastar do seu calor? Não quero nunca pensar nisso... nesse precipício esse princípio de não ter mais amor Nem ter pra quem se dar ou entregar mil vezes qualquer coisa mil beijos apaixonados pelo ar... (Mariana Antonelli - 06/09/2002) ----------------------------------------------------------- Blues Eterno E no meu quarto à meia luz Vejo sua sombra indo embora Enquanto isso toca um blues E eu vou cantando sua demora Já nem sei mais se vai voltar... Na cabeceira seu isqueiro continua Com o seu cheiro esparramado pela cama E o desejo no meu corpo perpetua Como um fogo que não apaga sua chama Então me escute E volte de novo A sua bebida já esquentou Quero matar minha saudade só um pouco Ao som de um blues Que nunca terminou. (Mariana Antonelli - 30/09/2002) Publicado por Marianíssima às 9:34:09 AM Segunda-feira, Outubro 11, 2004 Cada dia me convenço de que você sabe encontrar com exatidão todos meus detalhes. Até mesmo os mais invisíveis para os olhos que não sabem ver. Enquanto você rondava pelas minhas esquinas, ora descobrindo becos sem saída ora se deparando com portas totalmente escancaradas, eu permanecia quieta, fingindo que nada acontecia, calada. Desviei pra um lado, me fiz de tonta, desconversei, virei o rosto. Mas de nada adiantou. Que grande ingenuidade a minha duvidar desta sua destreza (que chega a ser irritante) tão capaz de me deter, me prender pelos cabelos. (Mariana Antoneli 24/08/2004) Publicado por Marianíssima às 11:27:06 PM Quarta-feira, Outubro 06, 2004 Aceso Há algo que inflama dentro de mim Estranho é que por vezes tudo em volta parece preto e branco. Mas cinzas se vão; se espalhando perdidas no chão. E finalmente meu corpo corre livre através da luz e da cor: movimentos perpétuos. (Mariana Antonelli 09/09/2004) -------------------------------------------------------------------- Impressões Se um dia você for embora, sumir... em meu corpo te acharão. Tuas digitais estão por todos os caminhos da minha pele. Mariana Antonelli - 09/08/2004 Publicado por Marianíssima às 4:37:34 AM Segunda-feira, Setembro 27, 2004 Meu oceano Meu oceano Que em mim se afogou Fez enchente por todos os lados, tudo transbordou E meu peito, cheio de águas, chorou E minha boca, cheia de beijos guardados, deles mesmos se alagou E a mágoa, que deveria haver, se dissipou Mas por enquanto tudo o mais se afundou E me afundou E eu fiquei tão inundada tão totalmente sem ar... À deriva o meu barco naufragou... (Mariana Antonelli - 25/11/2003) ----------------------------------------------------------- Lição de casa E quando eu chego perto da sua cor é que sinto o cheiro do arco íris. É que fervo por cada poro da minha pele - tecido aquecido e frágil. E quando seus olhos abocanham minha boca, meio acanhada eu lhe ofereço flores plantadas no meu jardim. E mesmo que você não as aceite, dou um suspiro longo e algo branco me invade. E fico em paz. E quando sua mão de bicho me puxa o cabelo, eu não faço questão de lutar contra. Vou ao encontro de seu comando e obedeço à necessária vaidade. E é verdade...eu agradeço esse bem que você me faz. Cantando o duro e o morno, mostrando o frio e o azul, forçando minha cabeça sonhadora a enxergar que nem tudo é puro, que nem tudo é ouro. Mas que do bom pode-se fazer melhor. E do melhor pode-se provar. E é aí que você entra: me provando. E interprete isso ao seu próprio gosto. Mariana Antonelli - 14/05/2003 Publicado por Marianíssima às 6:21:33 AM Terça-feira, Setembro 21, 2004 O amor e o outono Foi-se feito folha seca caída da árvore no outono foi-se frio aquele amor tão vivo sem sono... No seu olhar pra mim há a ausência de um brilho sempre essencial. No seu falar sem fim faltaram vírgulas, exclamações e veio o ponto final. E aquelas lembranças tantas tranças de emoções que traçamos juntos pelo tempo vão caindo feito folha seca de outono vão-se indo sem rastros com o vento... (Mariana Antonelli - 19/04/2003) ----------------------------------------------------------- Olhos Verdes É você quem olha para cada esquina escura tudo verde e ilumina a vida miúda rotina colore sempre que abro a cortina tudo muda . (Mariana Antonelli - 27/10/2002) Publicado por Marianíssima às 10:22:06 AM Quinta-feira, Setembro 16, 2004 Meu Chão Percalço Se ando .........Descalço Meus pés Não pisam Em falso (Mariana Antonelli 07/01/2003) --------------------------------------------------------- Mergulho Olha de novo dentro dos meus olhos de cor, mas desta vez mergulhando mais profundo que seus limites lhe impõem a cada vez que você tenta ultrapassá-los. E, por favor, mantenha-os abertos. Eles não irão arder, eu prometo. E enxergue que eu tenho tanto mar. E descubra no meu azul o lugar que desejar descobrir. Olha aqui dentro. Só mais uma vez...porque tenho essa sede de não engolir um não como resposta. Tenta sentir que seu corpo ainda molha, que seus olhos ainda alagam, que sua boca ainda saliva e que algo ainda sacia essa secura amarga na sua goela. Depois disso, inventa que ainda há algo ventando dentro do seu suposto vazio. Não aceito o vácuo. Não aceito que você vá assim. Deixa eu lhe mostrar que ainda há algo que não foi inventado. Deixa minha boca sorrir acreditando que a cada sorriso dado, novas reações desencadearão por dentro de você. Vertendo o breu em fagulhas brilhantes, a fome de fé em um grão de esperança, o choro entalado em pranto acolhido, o oco em cheio, o olhar vazio no enxergar delirante, a fartura de cinzas em um grande arco íris de contos de fadas. Esqueça o desarrimo das avenidas da vida e, por fim, olha pela última vez, mas agora pra minha boca balbuciante e me beija falando mudamente que há sangue ainda correndo pelas veias do seu corpo desnudo. E inunde-se toda vez que a maré ameaçar o recuo... Mariana Antonelli 25/04/2003 (pra meu amigo J.P, de coração) Publicado por Marianíssima às 3:47:51 AM Terça-feira, Setembro 14, 2004 TEMPERADO Assim só te olho só pra imaginar sua boca sedenta sorvendo meu gosto... Já passa de Agosto e foi-se Setembro Mas meu rosto ainda é o resto do seu olhar de qualquer tempo. (Mariana Antonelli - 02/11/2002) ------------------------------------------------------------- SUBSTÂNCIA: AMOR Tomo todas as sílabas prescritas pela sua boca de cura. Fico bem. Passo bem. Ultrapasso a dosagem. Abuso. "USE COM MODERAÇÃO" Não presto atenção. E assim eu me extrapolo toda de você e entupo meu peito mais que devia. "Você vicia, sabia?" Fui ao médico do coração e ele, com o semblante sério, virou-se para mim e disse: "Seu sintoma, minha filha: ingestão abusiva de substância química. Compulsão." Perguntei assustada: "O amor é substância química, Doutor?" Mariana Antonelli 03/07/2003 Publicado por Marianíssima às 2:39:55 PM Domingo, Setembro 12, 2004 Sen-ti-men-tal Sem ti metal eu viro Mente sem vida Vida sem sal atemporal... eu vou seguindo.... Senti tal tempo me vasculhar... e se tivesse a senha pra te mentalizar um temporal viria me molhar. (Mariana Antonelli 22/05/2002) -------------------------------------------------------------- QUE ACONTECE? Pra onde será que você foi Quem te levou nesse momento Que contratempo da batida no meu peito eu te acho e ajeito um jeito de te olhar Aqui bem dentro dos meus olhos tão perfeitos mora um universo cheio de espaço pra você ficar... Não vá ainda sente aqui e me escute e se encoste por meus cantos que eu já vou lhe encantar... E me confesse porque você foi embora e me cansou com a demora de hora em hora, ora bolas! Sem essa de me deixar... (Mariana Antonelli 12/09/2002) ---------------------------------------------------------- VEM Vem. Não precisa medir suas forças. Vem pra cima, mira os meus olhos e congela minha imagem na sua retina. Não meça forças na hora de ir contra a minha boca e arrancar dos meus lábios um gosto ácido de amor. Vem. Não precisa esperar. Estala os dedos que eu vou a seu encontro. E depois abraça meus quadris com seus braços longos e encoste a sua cabeça na minha barriga e peça mais um carinho no seu cabelo de onda de mar. Vem. Me carrega para a praia e cuspa poesias ou qualquer coisa piegas bem na minha cara. Eu vou gostar. Depois me puxe pelo cabelo, me vire para você e diga que da minha vida o seu corpo já tomou posse. E me beba, como bebida quente, de gosto forte e adocicado. E me cheire como um perfume barato, mas viciante. E me cate por cada esquina minha com suas mãos afoitas e sedentas de paixão. E depois durma com seu rosto coberto pelos meus cabelos e sonhe comigo até que o dia amanheça na areia da praia com outro sol voyerista brilhando os nossos corpos e diga que teve o melhor sonho de sua vida. E venha sempre. Mas nunca da mesma forma... Mariana Antonelli - 16/04/2003 Publicado por Marianíssima às 7:12:35 PM Quarta-feira, Setembro 08, 2004 CORPO E CACO Preciso unir todos os cacos que pelo chão e pelo caos ficaram. Cacos de um corpo que anda calado; à sua própria boca, colado. Preciso unir os cacos de um corpo que anda mais comum que o normal. Incomum. Insosso e, quem sabe, indiferente. Não importa. Um copo quebrou. O corpo quebrou. E os cacos continuam espalhados pelo chão, porque não há mãos para catá-los, uni-los, colá-los. Vassoura e pás, alguém? Meu corpo partido em pedaços. Meu corpo, um copo. Um copo em cacos. E os cacos expostos ao acaso... Mariana Antonelli - 24/08/2002 ---------------------------------------------------------------- PELE DE PAPEL Escreva no meu corpo a palavra que quiser E depois traduza tudo em sua língua no idioma mais perfeito pra me ter - livro aberto - me compreender mulher. (Mariana Antonelli -25/10/2002) --------------------------------------------------------- LANÇA-SE Lança seus olhos perdidos e vermelhos na direção dos meus e me confesse o quanto chorou por minha ausência e por todos os erros que sua estupidez desconhecida cometeu. E me puxe com sua parca força pelo braço quantas vezes for preciso, mas sempre implorando que eu escute as tantas rosas entaladas na garganta que você tinha para me oferecer. E depois cante baixinho, em meus ouvidos, músicas sobre estrelas, céus, mares e cores e sonhos até me fazer dormir. Lança também esse corpo cansado de noites mal dormidas em cima dos meus ombros e jamais esqueça de molhá-los com saliva e lágrimas. Diga que tudo o que passamos não passou de um pesadelo e depois lança sua boca entorpecida de desejo sobre a minha, mas não espere que meus lábios correspondam à sua cena. Porque eu passei a desconfiar até mesmo dos filmes de amor, onde todos os finais são felizes. Então me convença que seu corpo veio correndo transpirando agonia, à procura da minha pele que lhe dá algum alívio, alguma história, uma divina inspiração, mais algumas cenas, um pouco mais de vida, mais palavras bonitas que nem a boca sabe falar. Mas ainda que eu desconfie, ainda assim, lança poemas pelo ar que eu respiro, lança afagos entre os vãos do meu corpo, lança sopros de luz nos meus olhos, lança mãos quentes no meu coração gelado, à deriva, tão exposto na vitrine da minha carne viva. E convença meus olhos de que dentro dos seus ainda resta uma verdade para ser dita. E convença minha boca de que na sua ainda resta um gosto ligeiramente doce. E convença meu coração de que o seu ainda bate por vontade própria. E convença meu corpo de que o seu não é artificial. E convença, por fim, minha dor a parar de doer. E estanca meu sangue num abraço sincero e quase sem fim. E depois vá embora sentir o gosto da chuva que cai. (Mariana Antonelli - 20/04/2003) Publicado por Marianíssima às 7:28:53 PM |
|
Impressão Digital:
26 anos. Links
Meu fotolog |
|
|
|
|
|
|
|