Terça-feira, Junho 14, 2005

Diminutos

Tenho que diminuir os gastos, o tempo vago, minhas horas de sono, a minha grande e tola distração. Tenho que diminuir as lágrimas expostas - nuas no rosto pálido -, as lamentações das coisas que não foram, minha ingenuidade, meu grau irresponsável de sinceridade, a minha insistente e desvairada insanidade. Tenho que diminuir as emoções em altos picos. Dizem que isso é correr riscos demais. Tenho que diminuir o vício de correr riscos demais. Diminuir a quantidade de pensamentos que rondam minha mente. Diminuir a minha mente. Tenho que diminuir minhas mãos, que cismam em agarrar, afoitas, a tudo e a todos. Diminuir a quantidade de palavras que se alojam acomodadas dentro da minha boca. E, de minha boca, diminuir o tom da voz, junto com as futilidades ditas por dizer, largadas por aí, sem ter o que fazer em alguma mente ou em qualquer lugar. Tenho que diminuir meus olhares vagos, minhas inúmeras e teatrais expressões. Tenho que diminuir a quantidade de chocolate, a gordura localizada, a celulite, algumas medidas aqui e ali do meu corpo mutante, do meu corpo comandado, usado, abusado, inerente a minha mente (será?). Tudo isso para alongar minha vida.
E qual vida se tem, quando se é diminuída?
As favas com os diminutos. Tenho, sim, é que aumentar tudo para viver como tem que ser: vivendo. Só isso. Só isso tudo.

Mariana Antonelli - 07/04/2002

Publicado por Marianíssima às 1:17:59 AM


Terça-feira, Junho 07, 2005

Costura

Percorria
pela pele
seu dedo
E aquele doido medo
sumia...

Se o pêlo
pelo corpo
arrepia
desliza sua boca
na minha
e guia um sorriso
uma sorte
por entre minha alma -
recorte.

(Mariana Antonelli - 31/07/2003)

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Amor meu amor...

Meu amor pulsa mais forte a cada dia...
e eu chego a te sentir por um instante
tão perto da minha vida, meu amado, meu amante
que mesmo com tua ausência permanente
permanece em mim assim constante
este sentimento - força que me faz viver.

(Mariana Antonelli - 08/01/2004)

Publicado por Marianíssima às 1:43:22 AM

Impressão Digital:

26 anos.
Carioca, que adora paulista, que também se dá bem com os mineiros, que admira os nordestinos, que se diverte com os sulistas... Uma quase jornalista que é quase mais uma poetisa, metida a saber lidar com essas tais malditas, urgentes e necessárias palavras. Falo demais, escrevo demais, penso demais, choro demais, amo demais. Intensidade pode até ser um bom apelido para mim.
Mulher mística, do signo de Escorpião, com ascendente em Escorpião e lua em Câncer. Praia, amigos, botecos, livros, música, CHICO BUARQUE, e um grande amor.
Fim.

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